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Onça também gosta de caprinos e ovinos

Autor: Nathan Cruz, com dados básicos de Rafael - 05/09/2010

Onça tem seu cardápio próprio de animais do mato, mas pode se entusiasmar e até ficar viciada em cabras e ovelhas e, então, é preciso saber lidar com o problema, para reduzir o prejuízo

 

Os felinos não apresentam o hábito natural de atacar animais domésticos, desde que o ambiente ofereça área sufi­ci­entemente grande com recursos alimentares suficientes e nenhuma, ou até pouca interferência humana. Ou seja, tendo suas presas naturais, eles não irão atacar caprinos e ovinos.

Se, porém, acontecer uma ­ausência ou diminuição das presas naturais, por qualquer motivo, então os grandes felinos, antes de mudar de território, tentarão mudar o cardápio!

Na Natureza, os carnívoros predadores estão ligados ao controle dos mamíferos herbívoros que, por sua vez, alimentam-se de espécies vegetais. Já as co­munidades vegetais influenciam a distribuição de polinizadores, aves e insetos. Quando se afeta, portanto, a comuni­dade de predadores, afeta-se o ecossistema como um todo. Qualquer pertur­bação no ecossistema acaba prejudi­cando todos os viventes, incluindo as onças. Elas, portanto, podem ser vítimas de algum erro e passam a atacar ovelhas e ca­bras.

 

Assassinos

 

Sem dúvida, existem onças-pinta­das e onças-pardas que atacam o gado doméstico, podendo representar a ruína de um pequeno ou médio criador.

Há, porém, outros assassinos ­talvez piores que a onça:

u a falta de aplicação de planos sanitários;

u a falta de tecnologia para aumentar o desfrute (atualmente é muito ­baixo: 40-50% de prenhez e 30-40 % de desmame);

u doenças como a aftosa, a brucelose e a leptospirose;

u a falta de seleção e manejo do próprio gado em território que pode ter onças;

u o efeito das enchentes que ­pode provocar prejuízos muito maiores.

u falta de manejo eco­lógico da propriedade. Geralmente o manejo é rudimentar, ficando o rebanho exposto aos riscos de seca, doen­ças epidêmicas, parasitismo e desnutrição. Em muitas fazendas o gado torna-se semisselvagem (Baguá), condição que favorece o ataque de onças;

u descaso ou ausência dos proprie­tários, permitindo até roubos habituais. A falta de controle das atividades de gerentes, peões e vizinhos é um convite pa­ra as onças.

u o desmatamento, além de consti­tuir um fator de extermínio, predispõe ao ataque do rebanho por felinos. De fato, o desmatamento empurra as presas naturais para perto dos pastos e, então, a onça começa a ter contato com ovinos, caprinos, bezerros, etc.

u a facilidade de ataque. Uma vez que a onça descobre como é fácil caçar animais já domesticados abandonará o hábito natural de somente procurar presas selvagens.

 

Olho no olho

 

Animais grandes, que podem chegar a 500 kg, como cavalos, burros e gado adulto são atacados exclusivamente por onças-pintadas. A suçuarana por ter porte menor tamanho, ataca animais mais jovens ou de menor, usualmente potros ou bezerros (geralmente recém-nascidos, ou até um ano e meio de idade).

 

 

Muitas vezes, a onça abandona a vítima

 

A pesquisa recomenda o seguinte método para identificação da onça através do cadáver:

 

 

l Presas - estabelecimento da causas e/ou do causador da morte. Primeiro, assegurar-se de que o animal morreu pelo ataque ou se, no caso de ter morrido por outros motivos, o predador se aproveitou do cadáver para alimentar-se. Examinar os lados do pescoço da ­presa: devem ser esfolados para a inspeção da garganta, nuca e base do crânio, onde se procuram mordidas e lacerações (com perfurações causadas pela inserção dos dentes caninos) que tenham causado a morte. Verificação do lugar da mordida e as distâncias entre as perfurações dos caninos, preferencialmente pelo lado interno da pele. A distância entre as perfurações causadas por uma só mordida de onça-parda adulta é de 4,5 a 5,0 cm para os caninos superiores e 3 e 4 cm para os caninos inferiores. Para a onça-pintada estas distâncias são maiores, a menos que se trate de um indivíduo de menor porte.

 

l Cena do ataque - Manchas de sangue no local da morte são ­evidências de que o animal foi morto por um predador. Verificar se a vítima foi arrastada para um lugar de repasto para ser ­consumida. Verificar se a vítima está descoberta, ou se está coberta com folhas e vegetação.

 

l Respiração - O aparelho respiratório (laringe, traqueia e pulmões) devem ser aberto para a procura de evidência de espuma, cuja presença indica que o ani­mal estava vivo e respirando. Na ausência de espuma, o felino teria apenas se aproveitado do cadáver, sem ter realizado ataque.

 

l Para jovens - Buscar alimentos ou conteúdos regurgitados, pois indicam um ataque de felinos. Também analisar os cascos; se estiverem sujos indicam ca­minhada e um ataque. Se estiverem limpos indicam que o animal foi apenas consumido.

 

l Estado físico - Verificar o tamanho, idade e condição física da presa, para saber se a presa estava em más con­dições, ou até com possível doença. Observar a quantidade de gordura ao redor dos mesentérios (tecidos que cobrem os intestinos) e da carne, assim como a cor e a consistência da medula óssea. Se a medula é avermelhada e de baixa viscosidade a presa estava em más condições de saúde. Examinar o esqueleto para determinar se a presa tinha fraturas. Verificar a cor dos pulmões, que tem uma coloração rosada em casos de animais saudáveis e mais escuros em casos de indivíduos doentes.

 

l Ferida - Observar o tamanho da pre­sa e determinar se foi ferida ou não. Quanto maior o dano, menor o tamanho do predador em relação à presa.

 

l As mordidas - É muito importante diferenciar as presas dos felinos daquelas de cães, os quais podem se reunir em bandos e causar graves danos em regiões de atividade pecuária. Existem casos de bandos que vivem da matança e consumo de bezerros, capivaras jovens, ovelhas e cabras. Os cães provocam feridas nos membros posteriores com evidência de mordidas e ataques antes da morte. Como constitui uma es­pé­cie doméstica, os cães geralmente não são tão eficientes e ferem suas presas de forma considerável e desnecessária. Às vezes as vítimas não são consu­midas. Existe uma grande variação no tamanho e formato das pegadas de cães devido à grande diversidade de raças. A pegada de um canídeo é mais alongada que a de um felino, com os dois dedos do meio estendendo-se mais à frente, com a ponta dos dedos terminando em um pequeno ponto, deixado pelas unhas que, no caso, não são retráteis.

 

l Mudanças nos vestígios - Pegadas, pelos e fezes deixadas pelo predador no local do ataque e do arrasto podem ser modificadas por variações específicas tais como: idade, sexo, velocidade de locomoção e deformidades fí­sicas. Observar ainda fatores externos tais como: idade das pegadas, condições atmos­féricas (vento, chuva e sol) e a textura do solo no qual foram feitas.

 

l O banquete da Pintada - A Onça-pintada geralmente começa a consumir sua presa pela parte dianteira, preferindo a carne da garganta, a parte baixa do pescoço, o peito e a carne que cobre as costelas e as palhetas ou escápulas. A parte posterior do animal (detrás das costelas) pode permanecer intacta. O estômago e intestinos podem ou não ser habilmente extraídos sem derramar seu conteúdo. Por outro lado, bezerros pequenos, ovelhas e cabras podem ser consumidos em sua totalidade, incluindo a cabeça e as patas. Em algumas oca­siões, a onça-pintada consome o nariz, as orelhas, a língua, os testículos e o úbe­re, dependendo do sexo da presa. A onça-pintada pode arrastar suas presas por longas distâncias, às vezes superiores a um quilômetro, por florestas e outros terrenos difíceis. Ela não cobre suas presas com folhas ou outros materiais.

 

l O banquete da Parda - A onça-parda geralmente ataca e consome presas de tamanho médio e menores, ovelhas, cabras e bezerros recém-nascidos a um ano de idade. A mordida da onça-parda não é tão forte quanto a da onça-pintada (a onça-pintada apresenta um desenvolvimento do crânio e do aparelho mastigador notavelmente maior que o da onça-parda em relação ao seu tamanho e peso). Os caninos da onça-parda são de menor tamanho. A mordida ocorre ge­ralmente na garganta e a morte ocorre por asfixia. Raramente mordem a nuca (ge­ralmente em presas pequenas). As presas frequentemente apresentam hemorragias extensas no pescoço e na nu­ca, com marcas da garras nos ombros e lados. Consome geralmente as costelas e a área detrás destas. O estômago e in­testinos são habilmente extraídos sem derramar o conteúdo, permitindo o acesso ao fígado, coração e pulmões. Segue então com o consumo da carne das patas posteriores pela porção ventral dos músculos. A Onça-parda geralmente não consome o nariz, as orelhas, a língua, os testículos e ao úbere. Uma característica determinante é que as presas da on­ça-parda é que são escondidas e cobertas por folhas e/ou outro material vegetal solto para serem protegidas de outros predadores. O fato de não estar coberta, porém, não exclui a possibilidade de se tratar de uma presa de onça-parda. Se a onça-parda consome sua presa de grande tamanho durante vários dias, pode haver diferentes lugares para onde a presa é arrastada, consumida e coberta por folhas, com rastros que demonstram o arrastamento da presa entre os locais. Geralmente, a barrigada e os intestinos são enterrados no local onde a onça-parda comeu pela primeira vez.

 

l As pegadas - As pegadas da onça-pintada são grandes, de forma arredondada, sendo o comprimento total um pouco maior que a largura, com dedos redondos, almofadas grandes e delineadas, de forma arredondada. Oca­sio­nalmente ao caminhar, o animal pode deixar a pegada sobre a pisada anterior. As patas dianteiras deixam uma pegada maior que as patas traseiras em ambas espécies de felinos. É importante não se enganar acreditando que pegadas diferentes podem ser provenientes de dois felinos diferentes. Tanto na onça-pintada como na parda, os dedos das patas dianteiras e traseiras apresentam uma forma geral ovalada, mas na onça-parda os dedos tendem a ser pontudos no ­extremo superior. Também as almofadas apresentam algumas diferenças; na onça-pintada a borda superior tende a ser reta e a in­ferior pode ser reta com dois lóbulos, um em cada extremo. Na onça-parda, a borda superior geralmente é côncava e a borda inferior apresenta três lóbulos bem diferenciados, todos no mesmo nível.

A onça-parda, ao contrário da onça-pintada, tem a habilidade de utilizar ­áreas mais secas e abertas e se adapta e sobrevive em áreas alteradas por atividades humanas. Os rastros associados à presa são diferentes (ver Fig. 1) e se pare­cem mais com a pegada de um cão (porém sem as marcas das unhas). Geralmente a pegada da onça-parda é menor que a da onça-pintada e a largura de sua pegada é maior que o comprimento, os de­dos são mais finos e pontudos e a almofada na região do calcanhar apresenta entradas na forma de três lóbulos característicos.

 

l As fezes - Não é possível diferenciar as fezes da onça-parda das da onça-pintada pelo tamanho, mas é possível di­fe­renciá-las com alto grau de exatidão pe­la análise bioquímica de seus ácidos biliares.

 

 

Nathan Cruz - é Zootecnista. Título original: “Manual sobre os problemas de predação causados por onças em fazendas de gado” (Hoogesteijn, R), tradução de Silvio Marchini, Wild Conservation Soc.






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