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Aquele copo de leite

- 09/02/2008

Aquele copo de leite

 

Certa vez, o Governo mandou uma porção de estudantes para o sertão nordestino, para conhecer uma nova realidade brasileira. Tudo era uma festa, até o dia em que um grupo se perdeu na caatinga, onde somente havia rochas, lajedos, macambiras e cascavéis. Cada um resolveu tomar um caminho ­diferente.

Um rapaz bonito, bem trajado, andou o dia inteiro e, morto de forme e se­de, chegou a um casebre, onde parecia haver sinal de vida.

Surgiu um velho, com chapéu de cou­ro e enorme peixeira na cinta, com olhar bondoso, mas desconfiado, que foi logo dizendo, no linguajar de antigamente, com os olhos bem arregalados para ver a reação do jovem:

- Louvado seja o Senhor.

O rapaz mal podia falar de tanta se­cura na boca, lábios rachados, cabeça fervendo. Só conseguiu sussurrar:

- Água.

O velho entendeu tudo. Sabia que era os “futuros doutores” que, talvez, um dia, pudesse resolver a sorte do Brasil. Entrou, encheu o caneco na tina e voltou.

- Pode beber que é boa.

O homem olhou o rapaz e percebeu que tinha fome. Não havia nada em casa, a seca estava braba, nem preá gas­tava horas no sol, só tinha uma ca­brita que salvava a situação. O velho pegou a cabra e o caneco, ajeitou-se nas pernas e ficou conversando com a cabra, enquanto o leite escorria para dentro da vasilha da salvação.

- Beba esse leite, que é só o que a gente tem. É de cabra. Dá sustança. Se achegue na sombra por um pouco e, depois, pode seguir aquela vereda que vai chegar a um povoado, onde há mais o que comer.

O rapaz ficou comovido. Agradeceu de todo jeito, mas continuava com os pés ardendo, a cabeça inchando, e a bar­riga roendo. Sabia, porém, que aquele poderia ser até o último leite da cabra que, coitada, estava magricela de fazer dó.

Os anos se passaram e, um dia, no consultório do Dr. Horácio, chega um casal de velhos, bem velhos, para serem tratados de um terrível mal. Todos haviam dito que somente ele poderia dar jeito. Era um médico famoso, rico, cobrava fortunas, mas sempre conseguia curar os pacientes.

O médico atendeu, fez exames, tratou, curou a velhota. Chegou, então, a ho­ra da cobrança. O velhote falou que era do sertão nordestino, não tinha grandes posses, mas que pretendia honrar o bom feito do médico. Para sua surpresa, o doutor disse:

- É de graça. Tudo de graça. Aqui o se­nhor não paga nada e nunca pagará.

O velhote, ruim das vistas, não entendeu porque tamanha generosidade. O doutor explicou:

- Certa vez, quando eu era rapaz, estava na caatinga, morto de fome e en­contrei uma agulha no palheiro, um homem que pegou o último leite da última cabra e deu para mim, sem cobrar nada. Eu já não sabia mais o que fazer.

O velhote arregalou os olhos, reconhecendo o rapaz que havia se tornado um médico tão famoso.

- Se não fosse aquele copo de leite, talvez eu não chegasse a ser o médico que sou hoje. Assim como eu cheguei à sua casa, hoje o senhor chegou até a minha. Eu fico muito satisfeito por ter encontrado o homem que me salvou, naqueles tempos.






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